Não era um dia qualquer, aliás, não era pra ser um dia qualquer. Eu me levantei e fui tocada suavemente pelos raios solares que atravessavam calmamente a janela e aquela sensação me lembrou dias passados, dias em que eu acordava com um sorriso no rosto e sabia que a saudade viria sim ela viria, mas de um jeito gostoso que não me daria medo, não me faria afogar em minhas próprias lágrimas; de uma forma que eu sabia que não era necessário temer. Naquele dia, eu me lembrei de tudo isso, até mesmo do que fazia quando meus olhos se abriam novamente para me encantar com a beleza do que estava acontecendo. Sem saber explicar, pulei da cama num salta repentino que fez meus pés doerem, e essa dor não me incomodou. Corri para o banheiro, tentando descobrir o que estava acontecendo, há dias eu não me olhava no espelho e encontrava uma imagem tão bonita como aquela. Eu voltei! Sim, eu voltei e consegui por fim me desenrolar daquele novelo, que me prendia as mágoas do passado e me tornavam cada vez mais difícil sobreviver; pois a tempo eu não sabia o que era felicidade, e quer saber que de um modo ou de outro eu fiquei com saudade de ser assim? Eu não sabia até me sentar na cama novamente e parar para refletir, deixei que meus pensamentos me guiassem novamente a um porto forte em que eu pudesse mesmo distante enxergar o que havia acontecido. E eu vi, de longe eu avistei o tempo que eu perdi chorando, lamentando das coisas erradas que haviam acontecido e lá no fim, bem adiante mesmo, quase se apagando eu descobri algo: que a causa de todo este sofrimento vinha de mim mesma. Fui eu quem procurou ultrapassar limites, fui eu quem insistiu em cometer erros após erros, fui eu quem atravessou uma linha chamada paciência, que passou sem ler o muro onde estavam escritas as regras e navegou ou melhor naufragou nestes sentimentos profundos que me atordoavam. No fundo, bem ao fundo, reconheci meus erros e tive uma segunda chance para repensar e refazer meu caminho. Poucos têm uma segunda chance, quando a primeira é desperdiçada não sabemos se teremos novamente uma oportunidade e jamais conseguiremos entender as peças que a vida nos prega. Cada uma tem um elenco diferente com um cenário diferente e uma história diferente, que nos confundem e muitas vezes nos levam a cometer erros. Nesta peça, quem perder nem sempre será perdedor, haverá ao menos outras tentativas e quem ganhar nem sempre será vencedor, é preciso continuar lutando, mesmo que os anos passem, as marcas da história ficarão. A não ser que se acorde cedo, e um raio de Sol ilumine seu dia te fazendo enxergar o que antes estava encoberto e te fazendo ler o que antes era ilegível. Um dia qualquer, com pessoas qualquer, mas não com uma história qualquer: seja você mesmo o protagonista do seu mundo e faça como eu acorde cedo a tempo de criar uma nova história!
Quézia Estéfani

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